Hoje revi com meus filhos, o vídeo de nascimento de um deles. É interessante como esse tipo de lembrança mexe com a gente. Pude me ver há 8 anos atrás dando a luz e resgatei as emoções de ser mãe novamente.

Cresce o número de mulheres, que escolhem não ter filhos. Eu respeito essa escolha. Admito que ser mãe não é tarefa fácil. Sendo mãe de 4 filhos, tive que abdicar da minha vida profissional, reduzi minha vida sexual, social e porque não dizer, a mental. Ter muitos filhos, atualmente, causa espanto e indignação. Já me senti um tipo de ser de outro planeta acompanhada por meus lindos ETzinhos adentrando um restaurante, uma loja, um supermercado, já ouvi reclamações inclusive, e olha que meus filhos nem são dos piores! Crianças incomodam porque são espontâneas, fazem barulho, bagunça e sujeira. Mas, são dotadas de todos os sentimentos, que seriam necessários para melhorar o mundo, se fôssemos capazes de levá-los ,em sua essência ,para a vida adulta: pureza, amor, devoção, fé, sensibilidade, criatividade e confiança. Crianças não se importam se você é bonita ou feia, se é rica ou pobre, gorda ou magra, ela te ama sem exigir nada, confiam a vida a você.
Não vejo problema algum em optar por não ter filhos, quando não há o desejo de tê-los, não há porque sucumbir à tradição, ao instinto. Há mulheres que optam por não tê-los por questões econômicas ou emocionais. Sinceramente, eu acho que o problema maior da mulher moderna, não é estar perdendo o instinto materno, mas sim a ternura.
Depois que conquistamos todo o espaço, os direitos e a liberdade, sacrificamos também a figura doce e delicada da mulher. A disputa com os homens para alcançar a igualdade, tornou a mulher agressiva e competitiva. Masculinizada. Alcançamos nosso objetivo de igualdade. Somos iguais aos homens.
Resultado: parimos uma sociedade desprovida de respeito, amor e consideração. Valores, que antigamente, eram passados pelas mães, que representavam proteção, dedicação e amor. Apesar de representarem também submissão, subserviência e desvalorização, a grande maioria, não se incomodava, viviam suas vidinhas sem opinarem, criavam seus filhos e cuidavam dos seus maridos. Altruísmo total!
Quando optamos por sair de casa, assumindo a tripla jornada de mãe, mulher e trabalhadora, sacrificamos também essa imagem para os nossos filhos e para o nosso próprio instinto.

Valores como esses não são ensinados na escola. Podem ser trabalhados, ensinados não. Confesso também, que o fato de estar em casa, não significa que eu seja uma mãe mais amorosa ou atenciosa, que aquela mãe, que passa pouco tempo com seu filho, mas lhe dedica total atenção no pouco tempo que lhe sobra. Mas, dedicar atenção e carinho a um filho, infelizmente não basta para a formação do seu caráter. Muitas pessoas tiveram pais e mães rígidos e distantes, que lhes cobravam respeito e conduta correta, castigando-os severamente, quando não andavam na linha, e nem por isso se tornaram pessoas desprovidas de amor e ternura, pelo contrário, têm nos pais o exemplo de honestidade e respeito, que procuram seguir. Acho que o ponto está na maneira como as crianças são tratadas para suprir a ausência, algumas mães, pais também, mas principalmente maẽs, sucumbem às vontades das crianças, não impõe limites nem respeito ao próximo. Como os pais são um exemplo a ser seguido, os filhos acreditam que todos devem sucumbir às

suas vontades, e quando descobrem, que não é bem assim, sente-se traídos pelos pais e frustrados com a vida; podendo inclusive usar da violência para conseguirem o que querem, já que não sabem o que é limite ou respeito. Não há uma receita para se criar filhos. Na intenção de acertar, podemos traumatizá-los para sempre. E como diz a Psicologia: a culpa é sempre da mãe.
Mas, a Natureza não pode ser alterada impunemente. Quando a mulher decide ir contra sua própria natureza, tornando-se insensível, fria e egoísta, jogando fora sua ternura nata, a punição aparece na forma dessa sociedade, que a gente tanto teme, foge e se esconde.
Imagens:
Afeto por mim,
ternura,
To mother